Cura em Psicanálise: Conceito em Freud e Lacan

A ideia de cura em psicanálise pressupõe uma resolução da dor psíquica do sujeito. Mas, será possível uma solução completa para todas as dores psíquicas? Se partirmos das ideias de que somos sujeitos desejantes e de que o inconsciente não pode ser totalmente acessado, sempre restará um lugar não resolvido para as dores psíquicas.

A Cura em Psicanálise: O Conceito de Freud e Lacan

A ideia de cura em psicanálise pressupõe uma resolução da dor psíquica do sujeito. Mas, será possível uma solução completa para todas as dores psíquicas? Se partirmos das ideias de que somos sujeitos desejantes e de que o inconsciente não pode ser totalmente acessado, sempre restará um lugar não resolvido para as dores psíquicas.

Então, falar em cura em psicanálise, segundo Freud e Lacan, significa em certa medida falar em uma significativa melhora. Isto é, reduzir determinados sintomas psíquicos que antes eram definidoras do sujeito (como “eu sou muito depressivo”), em favor de um quadro de melhora em que esse sintoma (no exemplo, “depressão”) deixe de resumir o próprio sujeito analisando, da perspectiva deste sujeito.

Afinal, não há uma medida exata para saber se a pessoa está de fato curada, por serem aspectos subjetivos. A auto percepção do sujeito-analisando será fundamental

A cura em psicanálise NÃO é:

A psicanálise surgiu no final do século 19 e originou-se da pesquisa de Sigmund Freud. O ponto de partida deste tratamento é inconsciente. Em outras palavras, o psicanalista estuda, investiga e se preocupa com a compreensão do inconsciente e de sua particularidade. Ao contrário da psicologia, não há graduação em psicanálise. De modo geral, para se tornar psicanalista, é necessário ser graduado em medicina ou psicologia e cursar uma instituição psicanalítica reconhecida. No Brasil, a profissão ainda não foi regulamentada, mas é considerada gratuita. O principal método de consulta ou encontro com psicanalistas é o diálogo. Em outras palavras, incentive os pacientes a dizerem o que quiserem. Com base nisso, o analista interpreta e avalia a conversa para determinar a fonte inconsciente que o impede de resolver o problema.

o que é cura em psicanálise?

Em vez disso, começamos com uma definição negativa (não é). Agora estamos prontos para uma definição positiva: qual é a cura para a psicanálise?

Qual é a definição de cura ou o conceito de cura?
Quais são suas reais possibilidades?

As escolas psicanalíticas têm diferentes conceitos de cura ou melhora psicológica ou o fim da terapia, tais como:

Melanie Klein: Elaborando sobre percepção/localização da depressão.

Donald Winnicott: Cultivando seu eu autêntico. Escola de Psicologia do Ego: Maior adaptação do ego à sua zona de não conflito.

Exploraremos os três métodos acima em profundidade em outros textos. Agora, vamos nos concentrar nos conceitos de cura de Freud e Lacan.

A cura psicanalítica para Freud

Para Sigmund Freud, o objetivo do tratamento era o que ele chamava de tratamento real, ou “melhoria significativa”. Esta cura ou melhoria pode ser vista com: através de aspectos qualitativos (mudanças de estado) e Pelo aspecto quantitativo (reduz o “número” de dores sintomáticas). A psicanálise visa tornar consciente o inconsciente, e isso inclui ampliar a visão que o sujeito tem de si mesmo e de seu desconforto. Então, durante a análise, os sintomas passam a ter uma dupla dimensão: Seção de Conscientização: As possíveis causas do desconforto estão sendo conhecidas, e elaborar esse conhecimento a partir da personalidade do sujeito é um caminho para a melhora psicológica.

Partes Inconscientes: Muitos elementos permanecem inconscientes mesmo quando analisados. Afinal, a maior parte de nossa vida mental existe no inconsciente. Portanto, pode-se supor que parte da causa dos sintomas permanece desconhecida. Mas mesmo que os sintomas não desapareçam, a psicanálise ajuda o sujeito a passar por um processo em que ele não é estigmatizado ou perdido como pessoa definida pelos sintomas (reduzida a sintomas).

E, mesmo que não seja uma cura no sentido absoluto, seria uma melhora possível, uma cura real ou uma cura relativa, e possivelmente alcançável, que melhoraria a vida do sujeito. Ainda para Freud, a tarefa mais importante da psicanálise seria essa ideia de aperfeiçoamento, envolvendo principalmente:

cura psicanalítica para Lacan

 

Para Jacques Lacan, a demanda de cura vem da voz de um sofredor. Nesse sentido, a voz do analisando é central para determinar se um tratamento está caminhando para cura/melhora ou para piora.

 

O desejo é muitas vezes disforme. Uma maneira de entender o desejo de alguém é quando esta pessoa consegue reduzir o seu desejo a uma demanda. Por exemplo, “eu quero X”.

 

Cabe ao analista recolher essas demandas trazidas pelo analisando. E, no processo, elaborar essas demandas, com o objetivo que o analisando encontre-se consigo. Encontrar-se consigo seria, em resumo, encontrar-se com seu desejo: reconhecer os desejos que lhe causem satisfação (ou menos tensão) e afirmá-los.

 

Então, para Lacan, a cura em psicanálise é uma melhora que passa também por um fortalecimento do ego, que pode ser expresso principalmente por dois termos lacanianos:

 

Travessia da fantasia: percurso sobre a significância e autodefinição do próprio ser, com o sujeito sendo capaz de se afirmar como ser desejante (“eu sou…”).

Destituição subjetiva: no setting analítico, significa que o analisando vai “destronar” (retirar do trono) o lugar do sujeito suposto-saber do analista; este lugar em que, de início, o analisando colocou o analista para o bem da análise e para a formação dos laços transferenciais.

De forma similar à destituição subjetiva, a cura ou melhora passará com um movimento do analisando em destituir o sujeito suposto-saber fora do setting (fora da terapia). Isso implica deixar de reverenciar todos os outros Grandes Outros e o desejo dos outros, colocando no lugar o desejo do próprio analisando.

 

Em suma o que é cura para a psicanálise?

A Psicanálise é uma teoria sobre as consequências do desejo em nós:

  • os desejos que realizamos e
  • os desejos que não realizamos.

O desejo é central no processo identitário de um sujeito. E, assim, o será também como medida para o bem-estar do sujeito. Será, por isso, um fator central trabalhado em terapia.

Afinal, a complexidade do desejo implica que o sujeito pode:

  • não saber o que deseja,
  • ter desejos ambivalentes ou
  • desejar os desejos dos outros.

Uma citação (em escrita livre) atribuída ao grego Hipócrates: “mais importante conhecer a pessoa do doente do que conhecer que doença a pessoa tem“. A psicanálise seguirá também esta ideia, no sentido de identificar que um sintoma terá uma causa relacionada à constituição psíquica e à personalidade do analisando.

O desejo do analisando em saber mais sobre si o “habilita” a ser um analisando em psicanálise. Este sujeito desconfia de que não entende tudo sobre o que lhe causa a dor. E identifica que precisa de um olhar de fora.

Se o sintoma é a realização substitutiva do desejo (isto é, a forma de um desejo reprimido se manifestar), entender o desejo atinge o sintoma (superando-o ou minimizando-o).

O processo analítico deve propiciar uma autonomia para que o analisando diga “sim”, “não” (e, às vezes, “sim/não”) em seus próprios termos, não a partir do desejo do outro.

Quando o analisando afirma que pessoas de sua família começaram a dizer que ele “piorou” depois que começou a fazer terapia, pode ser um bom sinal. Isso nos permite perguntar:

  • terapia psicanalítica “piorou” este analisando do ponto de vista de quem?
  • Será que este familiar estaria dizendo isso porque o analisando está mais adequado ao próprio desejo e não ao desejo dos outros?

     A psicanálise não cura em definitivo. O sofrimento é irredutível à vida e necessário a ela. Por haver as dimensões do inconsciente e do desejo, sempre haverá uma incompletude potencialmente geradora de dores psíquicas. Para Nasio, a psicanálise leva o sujeito a amar-se como é. Isso significa ser mais tolerante consigo e com seu entorno mais próximo. Isso significa reduzir a angústia do que lhe falta e do que ele não entende, e valorizar o que elaborou acerca de sua própria ordem desejante.

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